15 outubro 2010

Serv. de Transmissões e Alerta da Legião Portuguesa


Este serviço da Legião Portuguesa, era um serviço de vigilância e informação, das comunicações de rádio interceptadas, incluindo as dos radioamadores e serviços privados.
A ligação com a PIDE-DGS era estreita.
p.s. repare no carimbo do canto superior esquerdo.

Para os que fingem não saber

14 outubro 2010

Sobre o Relatório de Henrique Galvão - 1947

Henrique Galvão depois de ter desviado o paquete Stª Maria, com mais 24 homens armados. O assalto causou um morto e três feridos entre passageiros e tripulação. Henrique Galvão conseguiu desembarcar os passageiros no Recife e o Presidente do Brasil, Jânio Quadros concedeu-lhe asilo político. A operação "Dulcineia" saldou-se por uma denúncia internacional da natureza ditatorial e antidemocrática do Estado Novo. Em Jornal "Diário de Notícias"

Sobre o Relatório de Galvão de 1947 (*1)

   “A miséria indiscritível das condições dos angolanos foi continuamente trazida ao conhecimento do Governo português, mas nada se fez senão reformas no papel. Em 1947, o Capitão Galvão, deputado de Angola à Assembleia Nacional Portuguesa e Inspector principal dos territórios ultramarinos, sob pedido do Governo português examinou essas condições e apresentou um relatório. Galvão foi nomeado porque o Governo português esperava que um ardoroso partidário do Governo fizesse um relatório falso que pudesse ser entregue nas Nações Unidas ou algures. Com efeito, o Capitão Galvão ficou de tal modo escandalizado com o que viu em Angola que mudou de opinião política e fez um relatório correcto e imparcial do que se passava nas possessões portuguesas do ultramar. Como se pode imaginar, o Governo português fez todo o possível por suprimir esse relatório e o Capitão Galvão foi preso pela audácia de ter dito a verdade. Recentemente escapou-se de Portugal para entrar na luta de forma dramática, conduzindo um grupo de 30 homens e apoderam-se do Santa Maria.
   Uma das maiores críticas que Galvão fez ao regime é o seu palavreado. Em teoria e no papel aboliu o trabalho forçado de que se aproveitavam firmas privadas e certas pessoas. Na prática o trabalho forçado aumentou. Descreve como em Angola, aberta e deliberadamente, o Estado tem o papel de agente recrutador e distribuidor de mão-de-obra por conta de um bando de colonos que escrevem ao departamento de Assuntos Indígenas a pedir um “aprovisionamento de trabalhadores”!  Esta palavra “aprovisionamento” é empregue indiferentemente para mercadorias e homens.  A existência de escravatura não lhe levanta dúvidas.  E cito as suas palavras:  “De uma maneira a situação é pior do que a escravatura simples, porque no tempo da escravatura o proprietário depois de comprar o escravo como um animal, trata-o bem como a um cavalo ou boi. Aqui o indígena não é comprado, é alugado pelo Estado ainda que seja considerado um homem livre e o seu patrão importa-se pouco que ele caia doente, que morra no trabalho, porque quando isso acontece requisita outro”.
   Sustenta estas opiniões com estatísticas escandalizantes mostrando que em certos casos a taxa de mortos é de 40% entre os trabalhadores forçados.
   Um trabalho forçado deste teor só se pode manter graças a uma extrema brutalidade exercida pelas autoridades portuguesas e os próprios patrões.  A situação piorou recentemente com a introdução de grande número de colonos.
   O estado precário da economia portuguesa na Metrópole faz com que seja necessário para Portugal exportar a sua própria miséria e compensar os seus cidadãos com trabalho que não pode fornecer na Metrópole, destruindo as populações africanas das colónias fornecendo aos portugueses que para aí emigram terra e mão-de-obra barata”

      (*1)      (Kwame Nkrumah, LE RAPPORT  DE  GALVÃO, in Présence Africaine, 3º trimestre, Paris, 1962)

Rádio Burkina Faso



13 outubro 2010

Dr. Domingos Arouca - Moçambique

Colecção BEZERRO D´OURO - Porto 1972 (edição do autor).

Prefácio:  " Domingos Arouca - condenado a quatro anos de prisão maior - , encontra-se na cadeia há mais de sete.  Preso e julgado em Moçambique, expia a condenação a milhares de kilómetros dos seus - na Metrópele.
   O degredo já não existe nas leis portuguesas. Mas existe para Domingos Arouca. Para ele e tantos outros negros - como ele.
   Domingos Arouca é advogado. Formou-se em direito, ensinado em Lisboa. Que direito se ensina em Lisboa? Que direito se decreta em Lisboa? Qual é em suma, o direito de Lisboa?
   Qual será?
   Domingos Arouca - moçambicano, negro e amigo -, qual será? "

                                                      (Francisco Salgado Zenha)

Cabo-dos-trabalhos

Cabo Espichel, eu e meus amigos no ano de 1976. Seja bom observador da evolução histórica.
Em 2010 Agosto, a passear com meu neto (9 anos) e ao fim de trinta e quatro anos.

Entrada da pequena Igreja. Bem assinalado as respectivas proibições. Transpondo a porta e no interior da mesma, uma pequena banca a onde se vende tudo que é 'recordação'.

A profunda dúvida !  Protecção do tesouro ou preservação da identidade do negócio, havendo tanto espaço no exterior para o instalar.