06 dezembro 2010

Carlucci - Embaixador americano desmascarado em Portugal

( Em 'Diário de Noticias' Nov. 1975 )


"O proprietário do Grupo Carlyle, Frank Carlucci, tornou-se «o homem que é necessário conhecer» em Washington. Senta­‑se, com efeito, no conselho de administração de numerosas sociedades e influi notavelmente sobre a política externa e de defesa dos Estados Unidos. De Kinshasa à Tanzânia, passando pelo Brasil e Portugal, foi implicado em vários golpes de Estado. É, ainda hoje, o alter ego de Donald Rumsfeld com quem compartilhou o seu quarto de estudante e conduziu toda a sua carreira na CIA, no Conselho Nacional de Segurança, no Pentágono e nos negócios.


...De 1969 a 1974, Carlucci foi afectado a Washington em diversas administrações. Primeiro no Gabinete das Oportunidades Económicas (OEO) da Casa Branca. A pedido do presidente Nixon, o seu amigo Donald Rumsfeld acabava de tomar a direcção demitindo­‑se da Câmara dos Representantes [7], ele tornou-se o assistente. Seguidamente, Carlucci foi nomeado subdirector do Gabinete do Pessoal e do Orçamento (OMB) quando Rumsfeld foi encarregado do Programa de Estabilização Económica [8]. Trabalhou então sob a autoridade de Caspar Weinberger, que seguiu, em 1973, para o departamento da Saúde, da Educação e do Bem-estar, mas conservou ligações com Donald Rumsfeld que deixou Washington para se tornar embaixador na NATO.

Em 1974, Henry Kissinger inquietou-se com a evolução de Portugal. Jovens oficiais acabavam de libertar o país da ditadura de Salazar durante a “revolução dos cravos”. O poder deslizava lentamente para a extrema esquerda do governo militar. Ora, Portugal, com nomeadamente os Açores, era indispensável à NATO. O general Vernon Walters, que se tinha tornado subdirector da CIA, pôs em evidência a incapacidade do embaixador dos Estados Unidos em Lisboa de opor-se ao perigo. Com Donald Rumsfeld, que se tinha tornado director de gabinete do presidente Gerald Ford, convenceu Kissinger a escolher Frank Carlucci para retomar a situação em mão e fê­‑lo nomear novo embaixador em Lisboa. Chamou a si imediatamente os seus antigos colaboradores da CIA no Brasil e fez mesmo vir 80 agentes dos serviços brasileiros. A operação foi frustrada in extremis pelo governo português. Na rádio nacional, Otelo Saraiva de Carvalho, líder histórico da revolução, instou o embaixador dos EUA a deixar o país o mais rapidamente possível [9]."

Amigo pessoal de Donald Rumsfeld, aquele da guerra do Iraque, lembra-se?
Uma vida com muita "história" vêr em  http://infoalternativa.org/usa/usa037.htm

Comunicação Social - Nov 1975

 Ao seviço da direita, é atacada em todas as frentes, o meio mais poderoso do povo português.
A Comunicação Social, que antes sempre tinha contribuido para o obscurantismo do País.
Agora atrapalhava os verdadeiros objectivos, dos falsos progressistas e dos "democratas" de última hora.




( Em 'Diário de Noticias' - 8 Nov. 1975 )

04 dezembro 2010

Intemporal WikiLeaks

DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DO CIBERESPAÇO

Por Jonh Perry Barlow, barlow@eff.org


"Governos do Mundo Industrial, vocês gigantes aborrecidos de carne e aço, eu venho do espaço cibernético, o novo lar da Mente. Em nome do futuro, eu peço a vocês do passado, que nos deixem sozinhos. Vocês não são bem-vindos entre nós. Vocês não têm soberania onde nos reunimos.

Não temos governos eleitos, nem somos nós que iremos  ter um, assim é por isso que eu me dirijo a vocês sem autoridade maior do que aquela com a qual a liberdade se fala sempre. Eu declaro que o espaço social global que estamos construindo, é para ser naturalmente independente das tiranias que vocês tentam impor-nos. Vocês não tem o direito moral de nos governar, nem vocês possuem métodos de coacção a que tenhamos uma razão real, para temer algo.

Os Governos derivam dos justos poderes do consentimento dos governados. Vocês não solicitaram ou receberam os nossos. Nós não vos convidamos. Vocês não nos conhecem, nem sabem o que é nosso mundo. O espaço cibernético não se limita às suas fronteiras. Não pensem que vocês que o podem construir, como se fosse um projecto de construção pública. Vocês não podem. É um acto da natureza e cresce por si próprio através das nossas acções colectivas.

 Vocês não se engajaram em nossa grande conversa e reunião, nem de criar a riqueza dos nossos mercados. Vocês não conhecem nossa cultura, nossa ética, ou códigos falados que já proveram nossa sociedade com mais ordem do que poderia ser obtida por qualquer das vossas imposições.

Vocês alegam que existem problemas entre nós que precisamos resolver. Usam essa alegação como uma desculpa para invadir nossos “distritos”. Muitos desses problemas não existem. Onde existirem conflitos reais, onde existirem erros, iremos identificá-los e resolvê-los por nossos próprios meios. Estamos formando nosso próprio Contrato Social. Essa maneira de governar surgirá de acordo com as condições do nosso mundo, não do vosso.
Nosso mundo é diferente.

O espaço cibernético consiste de transações, relacionamentos, e do pensamento, como uma onda parada na rede das nossas comunicações. O nosso mundo é um mundo que está em todos os lugares e em lugar nenhum, mas não é onde as pessoas vivem.
  
Estamos criando um mundo em que todos poderão entrar sem privilégios ou preconceitos de raça, poder económico, força militar ou lugar de nascimento.

Estamos criando um mundo onde qualquer pessoa, pode expressar suas crenças, não importando quão singular sejam, sem medo de ser coagido ao silêncio ou conformidade.

Vossos conceitos legais sobre propriedade, expressão, identidade, movimento e contexto não se aplicam a nós. Estes, são baseados na matéria, e não há nenhuma matéria aqui.

Nossas identidades não possuem corpos, então, ao contrário de vocês, não podemos obter ordem por meio da coerção física. 
Acreditamos que a partir da ética, compreensivelmente o interesse próprio, e da  comunidade, nossa maneira de governar surgirá. Nossas identidades poderão ser distribuídas através de muitas de suas jurisdições. A única lei que todas as nossas culturas constituídas irão reconhecer é uma Regra de Ouro. Esperamos ser capazes de construir nossas próprias soluções sobre este fundamento. Mas não podemos aceitar as soluções que vocês estão tentando impor-nos.

Nos Estados Unidos, vocês estão criando uma nova lei, a Reforma das Telecomunicações, que repudia a sua própria Constituição e insulta os sonhos de Jefferson, Washington, Mill, Madison, deTocqueville and Brandeis. Esses sonhos precisam de renascer agora de novo entre nós.
Vocês estão apavorados com as vossas próprias crianças, já que elas nasceram num mundo onde vocês serão sempre imigrantes. Porque têm medo delas, vocês incumbem as burocracias de responsabilidades paternais, já que são covardes demais para se confrontarem consigo mesmos. Em nosso mundo, todos os sentimentos e expressões de humanidade, desde os mais humilhantes até aos mais angelicais, são partes de um todo, sem censura, ou seja a conversa global de bits. 
 Na China, Alemanha, França, Rússia, Singapura, Itália e Estados Unidos, também estão tentando repelir o vírus da liberdade, erguendo postos de guarda nas fronteiras do espaço cibernético. Isso pode manter afastado o contágio por um pequeno tempo, mas eles não vão conseguir trabalhar num mundo em que brevemente será coberto pela mídia baseada em bits.


A indústria da informação cada vez mais obsoleta não poderá perpetuar por meio de proposições das leis na América e noutros países, como afirma no seu discurso pelo mundo. Essas leis iriam propagar ideias para ser mais um produto industrial, não mais nobre do que o ferro-gusa. No nosso mundo, qualquer que seja a mente humana pode criar pode ser reproduzido e distribuído infinitamente sem nenhum custo. 
O transporte global do pensamento não exige mais de fábricas para se consumar.

Essas medidas cada vez mais coloniais e hostis os colocam na mesma posição daqueles antigos amantes da liberdade e auto-determinação que tiveram de rejeitar a autoridade dos poderes distantes e desinformados. 
Precisamos nos declarar virtualmente imunes de sua soberania, mesmo se continuarmos a consentir suas regras sobre nossos corpos. Vamos espalharmo-nos por todo o planeta, para que ninguém consiga aprisionar nossos pensamentos.
Criaremos a Civilização da Mente no espaço cibernético. 
Para que ela seja mais humana e justa do que o mundo que vocês governantes criaram até agora.

Davos, Suíça

08 de fevereiro de 1996"

                                            NOVO SITIO DA WIKILEAKS:  http://wikileaks.ch:80/

03 dezembro 2010

Radios Mundiais


   

(auto-colantes oferecidos pelas emissoras internacionais em SW (Onda Curta), após envio do 'Relatório de escuta' ).

01 dezembro 2010

Heróis infantes

Militares made in USA




Depoimento confirma que EUA desrespeitavam Convenção de Genebra deliberadamente. Eric Schmitt e Douglas Jehl, do New York Times, 18/05/2004






O oficial americano que estava encarregado dos interrogatórios na prisão de Abu Ghraib disse para um alto investigador do Exército que os oficiais de inteligência às vezes instruíam a polícia militar a forçar os presos iraquianos a ficarem nus, e para acorrentá-los antes dos interrogatórios. Mas ele disse que tais medidas não foram impostas "a menos que houvesse bons motivos".

ATENÇÃO: Avisamos que não deve continuar a lêr o artigo se for menor de 18 anos e/ou ser uma pessoa sensível,etc, devido ao facto de apresentar-mos imagens que o podem chocar terrivelmente! Todo o artigo não é do autor deste post.


ATENÇÃO: Avisamos que não deve continuar a lêr o artigo se for menor de 18 anos e/ou ser uma pessoa sensível,etc, devido ao facto de apresentar-mos imagens que o podem chocar terrivelmente! Todo o artigo não é do autor deste post.


O oficial, o coronel Thomas M. Pappas, comandante da 205ª Brigada de Inteligência Militar, também disse ao investigador, o general-de-divisão Antonio M. Taguba, que sua unidade não tinha "um sistema formal em vigor" para monitorar as instruções que davam aos guardas militares, que trabalhavam estreitamente com os interrogadores na preparação dos presos para as entrevistas. Pappas disse que "deveria ter feito mais perguntas" sobre os abusos cometidos ou encorajados por seus subordinados.



As declarações de Pappas, contidas na transcrição de uma entrevista de 11 de Fevereiro que faz parte do relatório confidencial de 6 mil páginas de Taguba, oferece a maior confirmação até ao momento, de que os soldados da inteligência militar orientavam os guardas militares na preparação dos interrogatórios. Essas declarações, também fornecem os primeiros vislumbres por parte de um alto oficial de inteligência da prisão, do relacionamento entre seus soldados e a polícia militar. Partes das declarações juramentadas de Pappas foram apresentadas para o "New York Times" por um funcionário do governo que leu a transcrição.


O depoimento dos guardas e presos, em uma audiência preliminar de um soldado acusado de abuso, apontou que as ordens dos interrogadores em Abu Ghraib estavam próximas do abuso visto nas fotografias no centro do escândalo na prisão.


As técnicas de interrogatório descritas por Pappas foram usadas em presos que eram protegidos pela Convenção de Genebra, que proíbe tratamento coercivo e desagradável de prisioneiros. Oficiais militares disseram na segunda-feira que os Estados Unidos tinham abandonado discretamente, meses atrás, um plano anterior de designar como combatentes ilegais alguns dos prisioneiros capturados pelas forças americanas no Iraque. Nenhum prisioneiro no Iraque foi classificado como combatente ilegal.


Isto significa que mesmo os combatentes estrangeiros e os supostos membros da Al Qaeda capturados no Iraque, juntamente com os iraquianos capturados como presos de guerra e rebeldes, permaneciam protegidos pela Convenção de Genebra.


A opção de designar os prisioneiros capturados no Iraque como combatentes ilegais "não foi excluída, mas isto não está sob consideração", disse um alto oficial militar.


O papel dos oficiais da inteligência militar e interrogadores civis em Abu Ghraib ainda está sob investigação do general-de divisão, George R. Fay, o vice-chefe da inteligência do Exército.


Pappas confirmou em suas declarações que a sua unidade implementou várias mudanças recomendadas pelo general-de divisão Geoffrey D. Miller, chefe das operações de detenção em Guantánamo, Cuba, que foi enviado para o Iraque em Agosto e Setembro para avaliar as operações de detenção.


Uma importante conclusão da visita de Miller, disse Pappas, foi "o uso de PMs dedicados no apoio aos interrogatórios".

Vários policiais militares e seus comandantes em Abu Ghraib disseram que os oficiais da inteligência militar os orientaram a "estabelecer as condições" para melhorar o interrogatório. Quando Taguba perguntou que salvaguardas existiam para assegurar que os guardas "compreenderam as instruções ou os limites das instruções, ou se as instruções eram legais", Pappas reconheceu que não havia nenhuma.

"Não havia como nós monitorarmos se isto aconteceu", disse Pappas para Taguba. "Nós não tínhamos um sistema formal em vigor para fazer isto."



Pappas continuou: "Que eu saiba, não era costume dar instruções aos PMs, além das que mencionei, como acorrentamento, fazer os presos se despirem ou outras medidas usadas nos presos antes dos interrogatórios, a menos que houvesse bons motivos".


Planos individuais de interrogatório foram esboçados para cada preso e foram aprovados por Pappas ou seu vice, disse ele. Em cada caso, disse ainda, os planos seguiam a orientação contida nas regras de interrogatório que o general de exército Ricardo S. Sanchez, o mais alto comandante em solo no Iraque, aprovou em 12 de outubro.


Em seu relatório, Taguba concluiu que Pappas foi "responsável directa ou indirectamente" pelas ações daqueles que maltrataram e humilharam presos iraquianos.


Pappas é um veterano de 23 anos no Exército, que iniciou sua carreira militar após se formar em 1981 na Universidade Rutgers, onde fazia parte do programa de treino de oficiais da reserva. Ele assumiu o comando da 205ª Brigada de Inteligência Militar em Julho, depois da unidade estar no Iraque há mais de três meses, como parte da V Corps, que está baseada em Heidelberg, Alemanha.


Pappas recusou todos os pedidos de entrevista, incluindo um feito por intermédio de um porta-voz da V Corps do Exército, na Alemanha.


Ao optar por não designar os prisioneiros no Iraque como sendo combatentes ilegais, o governo Bush parece ter concluído que os procedimentos de detenção e interrogatório permitidos pela Convenção de Genebra eram adequados mesmo para supostos membros da Al Qaeda capturados no Iraque.


A Convenção determina proteções que incluem o monitoramento pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Os Estados Unidos disseram na preparação da guerra que ninguém capturado no Iraque seria enviado para a prisão americana em Guantánamo, que abriga supostos membros da Al Qaeda detidos no Afeganistão e em outros lugares, e nenhum foi de fato.


Tal nova abordagem é uma reversão profunda daquela que as autoridades do Pentágono descreveram após a fase principal da guerra no Iraque ter sido concluída. As autoridades americanas disseram que os milhares de prisioneiros no Iraque estavam passando por triagem para determinar quais seriam rotulados como combatentes ilegais. O governo Bush aplicou tal status aos membros da Al Qaeda de outros lugares e o empregou aqui para justificar a detenção por tempo indeterminado na base americana de Guantánamo, sob condições não sujeitas à Convenção.


O coronel Karl Goetze, o juiz defensor das forças da coligação no Iraque, disse em um briefing no Pentágono que os militares pretendiam separar os "combatentes ilegais" dos prisioneiros iraquianos que seriam tratados como prisioneiros de guerra.


"Os combatentes estrangeiros poderiam cair na categoria de combatentes ilegais", disse Goetze. Disse que esperava que apenas um pequena percentagem dos prisioneiros no Iraque seriam tachados de "combatentes ilegais", mas ele disse tambem: "Estes são os indivíduos que se levantaram, pegaram em armas, não as carregavam de forma aberta, não usavam uniformes; em outras palavras, empregavam táticas e técnicas que não estavam de acordo com a lei do combate armado".


Mas na segunda-feira, um alto oficial militar disse em uma mensagem por e-mail que "nenhuma pessoa no Iraque foi declarada combatente ilegal". Os prisioneiros iraquianos mantidos na prisão de Abu Ghraib, controlada pelos americanos, foram rotulados como presos de segurança. Em depoimento sobre o escândalo de maus-tratos a presos iraquianos lá, oficiais americanos disseram que os acordos de Genebra são "plenamente aplicáveis" a todos os prisioneiros detidos pelos Estados Unidos no Iraque.


Funcionários do governo Bush no Iraque referiam-se com freqüência à presença de combatentes ilegais entre aqueles que se opunham às forças americanas naquele país, mas nunca especificaram quantos combatentes estrangeiros estão sendo mantidos presos pelos Estados Unidos. Os funcionários americanos prometeram que todos os presos iraquianos seriam mantidos no Iraque, mas foram menos explícitos sobre se as mesmas regras se aplicavam aos estrangeiros.


Um alto funcionário do Departamento de Defesa diz que prisioneiros iraquianos de alto nível, mantidos em um local nos arredores do aeroporto de Bagdá, estavam agora sendo autorizados a ficarem até três horas ao ar livre, mais do que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha observou e declarou em um relatório de fevereiro de 2004.


No relatório, o comitê da Cruz Vermelha disse que os cerca de 100 prisioneiros no local, designados como "presos de alto valor" pelos Estados Unidos, eram mantidos em isolamento por meses com até 23 horas por dia sem luz solar. O alto funcionário da Defesa disse que os representantes do comitê da Cruz Vermelha visitaram o local duas vezes desde Fevereiro, e pareciam satisfeitos com a forma como os prisioneiros, que incluíam Tariq Aziz e outros ex-conselheiros de Saddam Hussein, estavam sendo tratados.


O Grupo de Inspeção do Iraque, juntamente com outra agência que o funcionário não quis citar, está encarregado do interrogatório destes prisioneiros, acrescentando que as regras para sua detenção e interrogatório foram estabelecidas pelo Comando Central.


Soldado diz que fotografar abuso em Abu Ghraib era "engraçado"
do New York Times, 17/05/2004
Em depoimento sob juramento aos investigadores, a soldado Lynndie England explicou assim porque militares do presídio de Abu Ghraib tiraram fotos de detidos encapuzados se masturbando e formando pilhas de corpos nus: "Pensávamos que parecia engraçado e, portanto, as fotos foram tiradas".


O depoimento de England, feito recentemente, descreve em detalhes e num tom impessoal as fotografias agora no centro do escândalo sobre abusos na prisão, relatando os maus-tratos como rotineiros e algumas vezes divertido, mas quase nunca, segundo ela, sem permissão.


Ela explica como amarrou uma corda em volta do pescoço do detido e o forçou, junto com outros presos, a correr e a se arrastar pelo corredor por "cerca de quatro a seis horas"; como um soldado regularmente jogava uma bola em prisioneiros encapuzados "para assustá-los"; "como outro soldado chutava detidos até causar feridas abertas para então "pessoalmente costurar os pontos dos detidos se a ferida não estivesse tão ruim", segundo cópia do depoimento obtido pelo "New York Times".


Questionada se havia maltratado detidos, ela disse: "Sim, eu pisei alguns deles, empurrei-os ou puxei-os, mas nada extremo". "A foto 15 é basicamente nós nos divertindo", disse, sobre uma imagem com vários detidos nus em diferentes posições. "Ela queria uma foto porque havia escrito "sou um estuprador" em um dos detidos", disse England, apontando para duas fotos que, segundo ela, foram tiradas pela soldado Sabrina Harman.


Durante o depoimento, no entanto, England repete que ela e outros soldados eram ordenados a fazer essas coisas, argumento que tem sido apresentado pelos advogados de defesa e por outros soldados envolvidos. Grávida e lotada no Fort Bragg (Carolina do Norte), ela havia-se recusado a ser interrogada sem um advogado, mas concordou em falar posteriormente.

Medida secreta aprovada por Rumsfeld em 2003 avalizava torturas


Segundo a revista New Yorker, o escândalo que abalou os Estados Unidos não é o resultado das tendências criminosas de alguns soldados, mas de uma decisão aprovada por Rumsfeld no passado recente. "Façam dos prisioneiros o que quiserem", era a ordem. AFP, 15/05/2004

Leia também:
As torturas infligidas por soldados americanos a presos iraquianos na prisão de Abu Ghraib foram avalizadas por uma medida aprovada em segredo em 2003 pelo secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, revelou a revista New Yorker, em matéria que será posteriormente publicada. O autor da matéria, Seymour Hersh, sustentou que o escândalo que abalou os Estados Unidos "não é o resultado das tendências criminosas de alguns soldados, mas de uma decisão aprovada por Rumsfeld no ano passado".

Esta medida tinha como objetivo "estender os limites de um programa altamente secreto para hostilizar a rede Al-Qaeda durante os interrogatórios dos prisioneiros no Iraque", afirmou Hersh, citando oficiais da Inteligência, activos e aposentados. Estes oficiais revelaram ao jornalista que o programa "incentivava a repressão física e as humilhações sexuais contra presos iraquianos para obter mais informações sobre a crescente insurreição no Iraque". "Façam dos prisioneiros o que quiserem", era a ordem de missão dos militares encarregados dos interrogatórios, segundo as fontes citadas pela revista.

A medida foi elaborada pelo subsecretário da Defesa para a Inteligência, Stephen Cambone, e aprovada por Rumsfeld logo em seguida. "A resolução ratificada por Rumsfeld e aplicada por Cambone era inclusive mais dura com os iraquianos suspeitos de fazer parte da insurreição", escreveu Hersh. O jornalista citou o general Geoffrey Miller, comandante do centro de detenção e interrogatórios da base naval americana de Guantánamo, Cuba, que chegado a Bagdá.

Segundo o New Yorker, o oficial teria recomendado 'guantanamizar' o sistema de prisões no Iraque. No entanto, a revista destaca que Rumsfeld e Cambone "foram mais longe", ao autorizar métodos "não convencionais" na prisão de Abu Ghraib, como o recurso a humilhações sexuais. "O método funciona. Conseguimos informações interessantes", teria dito Cambone, segundo Hersh. Via Jornal do Brasil.
Guardas acusados tentam transferir culpa

Por Adam Liptak, Michael Moss e Kate Zernike para o NYT

Seis dos réus no caso de abusos em Abu Ghraib já dormiram em uma mesma tenda em Bagdá. Mas nesta recentemente, enquanto se desenrolavam os processos militares mais importantes desde o Vietname, cada soldado lutava para explicar e justificar as evidências aparentemente irrefutáveis registadas em várias imagens perturbadoras, e apontavam dedos uns aos outros, minimizando seus papéis e responsabilizando o governo.

Uma ré, a especialista Megan M. Ambuhl, disse que foi apenas uma espectadora que tratou os presos iraquianos gentilmente, dando-lhes cópias do Alcorão e assegurando que suas refeições não contivessem carne de porco. O especialista Jeremy C. Sivits, em uma declaração para os investigadores, descreveu a conduta brutal do sargento Ivan L. Frederick II e do especialista Charles A. Graner Jr., que, por sua vez, o chamaram de mentiroso. E há o sargento Javal S. Davis. Seu advogado, Paul Bergrin, acusa que o sargento sofreu abuso por parte do governo, por interrogá-lo por 20 horas ininterruptas após ele ter trabalhado um turno de 60 horas em Abu Ghraib...New York Times, 16/05

==Mundo reage com indignação

Tribuna da Imprensa, 08 de maio, 2004

A imagem de uma soldado norte-americana puxando por uma coleira um prisioneiro iraquiano nú, fez aumentar as críticas aos Estados Unidos, com muitos pedindo a renúncia do secretário de Defesa Donald Rumsfeld.

A foto da soldado, reservista Lynndie England, 21 anos, apareceu nas primeiras páginas de jornais de todo o mundo. "Nenhum filme de sadismo poderia superar o dano dessa imagem", escreveu o repórter Robert Fisk, no britânico "The independent".

O escândalo dos prisioneiros deixou atónito Boris Johnson, um parlamentar do Partido Conservador britânico que apoiou a guerra: "Como pôde o Exército norte-americano ser tão grosseiro, tão arrogante, tão brutal para comportar-se dessa forma? As tropas de lixos criados em trailers disseram que não tinham idéia do que estavam fazendo. Eles não tinham nem consciência da existência das Convenções de Genebra. Eles não tinham nenhuma ordem para obedecer, apenas vagas instruções".

"Foi essa a operação pela qual votei? Eu realmente acreditei, quando a Câmara dos Comuns votou pelo apoio à ação norte-americana em 18 de Março de 2003, que ela seria executada com tamanha estupidez?"

Alguns pediram a saída dos Estados Unidos do Iraque. "Está claro que os Estados Unidos e seus aliados não podem entregar paz e estabilidade", disse Michael Higgins, porta-voz do oposicionista Partido Trabalhista da Irlanda. "As Nações Unidas têm de assumir o controle directo dos esforços para a restauração da paz e garantir a reconstrução do Iraque". Veja mais sobre este artigo aqui.

27 novembro 2010

Intervenções Militares Americanas

INTERVENÇÕES AMERICANAS NO MUNDO

Organizado por Alberto da Silva Jones (professor da UFSC)
Entre as várias INTERVENÇÕES das forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar:


1846 - 1848 - MÉXICO - Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas
1890 - ARGENTINA - Tropas americanas desembarcam em Buenos Aires para    defender interesses económicos americanos.
1891 - CHILE - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas.

1891 - HAITI - Tropas americanas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA.

1893 - HAWAI - Marinha enviada para suprimir o reinado independente anexar o Hawaí aos EUA.
1894 - NICARÁGUA - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês.
1894 - 1895 - CHINA - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa.
1894 - 1896 - CORÉIA - Tropas permanecem em Seul durante a guerra.
1895 - PANAMÁ - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana.
1898 - 1900 - CHINA - Tropas dos Estados Unidos ocupam a China durante a Rebelião Boxer.
1898 - 1910 - FILIPINAS - As Filipinas lutam pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, Filipinas - 27/09/1901 e Bud Bagsak, Sulu, Filipinas 11/15/1913) - 600.000 Filipinos mortos.
1898 - 1902 - CUBA - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana.
1898 - Presente - PORTO RICO - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos.
1898 - ILHA DE GUAM - Marinha americana desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje.
1898 - ESPANHA - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial.
1898 - NICARÁGUA - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur.
1899 - ILHA DE SAMOA - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em consequência de conflito pela sucessão do trono de Samoa.
1899 - NICARÁGUA - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez).
1901 - 1914 - PANAMÁ - Marinha apoia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção.
1903 - HONDURAS - Fuzileiros Navais americanos desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho.
1903 - 1904 - REPÚBLICA DOMINICANA - Tropas norte americanas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução.
1904 - 1905 - CORÉIA - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa.
1906 - 1909 - CUBA - Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições.
1907 - NICARÁGUA - Tropas americanas invadem e impõem a criação de um protectorado, sobre o território livre da Nicarágua.
1907 - HONDURAS - Fuzileiros Navais americanos desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua.
1908 - PANAMÁ - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos invadem o Panamá durante período de eleições.
1910 - NICARÁGUA - Fuzileiros navais norte americanos desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua.
1911 - HONDURAS - Tropas americanas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil, invadem Honduras.
1911 - 1941 - CHINA - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas.
1912 - CUBA - Tropas americanas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana.
1912 - PANAMÁ - Fuzileiros navais americanos invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais.
1912 - HONDURAS - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano.
1912 - 1933 - NICARÁGUA - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos.
1913 - MÉXICO - Fuzileiros da Marinha americana invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução.
1913 - MÉXICO - Durante a Revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas em apoio aos revolucionários.
1914 - 1918 - PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - Os EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens.
1914 - REPÚBLICA DOMINICANA - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução do povo dominicano em Santo Domingo.
1914 - 1918 - MÉXICO - Marinha e exército dos Estados Unidos invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas.
1915 - 1934 - HAITI- Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colónia americana, permanecendo lá durante 19 anos.
1916 - 1924 - REPÚBLICA DOMINICANA - Os EUA invadem e estabelecem um governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos.
1917 - 1933 - CUBA - Tropas americanas desembarcam em Cuba, e transformam o país num protectorado económico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos.
1918 - 1922 - RÚSSIA - Marinha e tropas americanas enviadas para combater a revolução Bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles.
1919 - HONDURAS - Fuzileiros norte americanos desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço.
1918 - IUGOSLÁVIA - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia.
1920 - GUATEMALA - Tropas americanas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala.
1922 - TURQUIA - Tropas norte americanas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna.
1922 - 1927 - CHINA - Marinha e Exército americano mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista.
1924 - 1925 - HONDURAS - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional.
1925 - PANAMÁ - Tropas americanas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos.
1927 - 1934 - CHINA - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos, ocupando o território chinês.
1932 - EL SALVADOR - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN -
comandadas por Marti.
1939 - 1945 - SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atómicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki.
1946 - IRÃO - Marinha americana ameaça usar artefactos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã.
1946 - IUGOSLÁVIA - Presença da marinha americana ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos.
1947 - 1949 - GRÉCIA - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego.
1947 - VENEZUELA - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder.
1948 - 1949 - CHINA - Fuzileiros americanos invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista.
1950 - PORTO RICO - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce.
1951 - 1953 - CORÉIA - Início do conflito entre a República Democrática da Coreia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Os Estados Unidos são um dos principais
protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coreia do Sul.
1954 - GUATEMALA - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a Reforma Agrária.
1956 - EGITO - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense- britânica, a retirar-se do canal.
1958 - LÍBANO - Forças da Marinha americana invadem apoiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil.
1958 - PANAMÁ - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos.
1961 - 1975 - VIETNÃ. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda económica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietname do Sul e entram num conflito traumático,
que afectaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas tácticas de guerrilhas.
1962 - LAOS - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao.
1964 - PANAMÁ - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira e seu país.
1965 - 1966 - REPÚBLICA DOMINICANA - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas norte americanos desembarcaram na capital do país São Domingo para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924.
1966 - 1967 - GUATEMALA - Boinas Verdes e marines americanos invadem o país para combater movimento revolucionário contrario aos interesses económicos do capital americano.
1969 - 1975 - CAMBOJA - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietname invadem e ocupam o Camboja.
1971 - 1975 - LAOS - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana.
1975 - CAMBOJA - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez.
1980 - IRÃ - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irão ocuparam a embaixada americana em Teerão e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então.*
1982 - 1984 - LÍBANO - Os Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos do Líbano logo após a invasão do país por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas.
1983 - 1984 - ILHA DE GRANADA - Após um bloqueio económico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar protecção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha.
1983 - 1989 - HONDURAS - Tropas americanas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira, invadem o Honduras
1986 - BOLÍVIA - Exército americano invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína.
1989 - ILHAS VIRGENS - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano.
1989 - PANAMÁ - Baptizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.
1990 - LIBÉRIA - Tropas americanas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil.
1990 - 1991 - IRAQUE - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos com o apoio de seus aliados da OTAN, decidem impor um embargo económico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da OTAN, o Egipto e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo.
1990 - 1991 - ARÁBIA** SAUDITA - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque.
1992 - 1994 - SOMÁLIA - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país.
1993 - IRAQUE -No início do governo Clinton, é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas, em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait.
1994 - 1999 - HAITI - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o
que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos.
1996 - 1997 - ZAIRE (EX REPÚBLICA DO CONGO) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus onde a revolução congolesa ? Marines evacuam civis? iniciou.
1997 - LIBÉRIA - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes.
1997 - ALBÂNIA - Tropas americanas invadem a Albânia para evacuarem estrangeiros.
2000 - COLÔMBIA - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde").
2001 - AFEGANISTÃO - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje.
2003 - IRAQUE - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É baptizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.

Diferença - Junho 1976

26 novembro 2010

Carlos Marighella, Nov 69

   "De acordo com a linha internacionalista de Guevara e o princípio de que " o dever do revolucionário é fazer a revolução ", o nome de Marighella inscreve-se na luta dos povos do Terceiro Mundo. Quando renunciou ao cargo que ocupava na direcção do Partido Comunista Brasileiro, dizia que o fazia porque estava disposto a lutar revolucionáriamente junto das massas e não ficar à espera do jogo politíco-burocrático e convencional dos dirigentes.
A sua prespectiva... "Não há outra saída para o terceiro mundo, excepto a organização da guerra justa e necessária contra o imperialismo".
Marighella apontava o exemplo do Vietname e de Cuba aos revolucionários brasileiros e proclamava a luta aberta ao capitalismo nacional e estrangeiro, ao capital sem pátria, e não apenas ao capitalismo monopolista brasileiro"
  Dez/74    Adérito Lopes, em introdução ao "Manual do guerrilheiro urbano"


Carlos Mariguella é morto a 4 Novembro de 1969

       CARTA AOS REVOLUCIONÁRIOS EUROPEUS

“ Queridos companheiros;

   Faz algum tempo que os camaradas revolucionários brasileiros mantêm contacto convosco na Europa, por meio dos quais já estão a par das dificuldades que nós encontramos para fazer avançar a revolução no Brasil.
   Os companheiros que se encontram na Europa e que discutem convosco os problemas da nossa revolução, são companheiros autorizados e representam junto a vós a nossa organização: ‘Acção Nacional Libertadora’.

   A luta que levamos a cabo no Brasil é uma luta de libertação nacional, uma luta contra a classe dominante brasileira. É uma luta contra a actual ditadura militar fascista e, neste sentido, é uma luta antifascista. É uma luta anti-capitalista porque está dirigida contra os grandes capitalistas nacionais associados ao capital estrangeiro. É uma luta pelo socialismo porque tem como objectivo liquidar as classes que mantêm a actual estrutura económica e liquidar o domínio dos grandes capitalistas e latifundiários.  Elas representam o maior obstáculo para a marcha em direcção ao socialismo, e são a base interna do imperialismo norte-americano e do capitalismo estrangeiro no nosso país.

   A estratégia da ‘Acção Nacional Libertadora’ é a seguinte:
   1 – O nosso inimigo é o imperialismo norte-americano. A nossa luta é anti-oligárquica e de libertação nacional. Dada a natureza dessa luta, o nosso objectivo é a transformação radical da estrutura de classes da sociedade brasileira.
   2 – Lutamos pela conquista do poder e da destruição do aparato burocrático militar do estado brasileiro, e a sua substituição pelo povo armado. O nosso principal objectivo a instauração de um poder popular e revolucionário.
   3 – O nosso programa é a expulsão dos norte-americanos do nosso país, a expropriação das empresas de capital privado nacional que colaboraram com o capital estrangeiro, a expropriação da propriedade latifundiária que hoje está na sua maior parte nas mão dos norte-americanos, e a realização da revolução agrária até às últimas consequências, com a libertação dos camponeses.
   E também         libertar o Brasil da condição de satélite da política externa dos Estados Unidos para alcançar uma condição de independência frente à política  dos blocos militares mantendo uma política externa de apoio activo aos povos subdesenvolvidos em luta contra o colonialismo.
   4 – O nosso meio de luta é a guerra revolucionária que já iniciamos no nosso país sob formação forma de guerrilha urbana. Com a expropriação dos bens dos grandes capitalistas nacionais, latifundiários e dos imperialistas yanques, com a sabotagem e a execução de espiões da CIA, como o capitão Chandler, instrutor anti-guerrilha no Vietname e no Brasil, com a apropriação de armas e explosivos, com as perdas e danos infligidos às instalações militares e ao potencial de fogo dos gorilas brasileiros.
   5 – A nossa etapa presente consiste em passar da zona urbana à luta armada na zona rural contra os latifundiários, passando à guerrilha rural de movimentos, partindo da aliança armada de operários, camponeses e estudantes, até chegar à formação do exército revolucionário de libertação nacional. 

   A nossa luta é uma batalha de vida ou de morte contra a ditadura militar fascista brasileira.
   Muitos companheiros estão encarcerados nas prisões da reacção e muitos deles foram atrozmente assassinados pela policia e exército brasileiro. Nós teremos urgente necessidade de que esses crimes sejam denunciados pelos jornais e outros meios, aos povos europeus.
   Temos necessidade de que os documentos sejam difundidos no exterior para que se conheça a luta que estamos desenvolvendo no Brasil. Necessitamos armas e munições, recursos de qualquer espécie com que os revolucionários possam contribuir como participantes desta luta, que todos os revolucionários sustêm no mundo.
   Não vemos distinção entre a luta que conduzimos no Brasil contra o imperialismo norte-americano e a ditadura militar fascista, e a luta que vós conduzis na Europa contra a reacção fascista, os trusts e monopólios, contra a guerra do Vietname, pelo socialismo, pela libertação e o progresso. A luta dos revolucionários europeus é a mesma dos revolucionários da América Latina.
   Com esta apresentação, esperamos que os representantes da Acção Nacional Libertadora possam chegar a resultados favoráveis, indispensáveis para a intensificação da luta revolucionária no Brasil e em todo o continente americano.

                                  Saudações revolucionárias
                                   Carlos Marighella
                                                                                              Setembro 1969