Miller Guerra
Intervenção na Assembleia Nacional em 6 de Fevereiro de 1973
20 janeiro 2011
19 janeiro 2011
20 Jan 1973 - Assassinato de Amílcar Cabral
(em "Jornal Operário Comunista" de Fevereiro de 1973)
(1) Operação militar, com invasão a um outro país independente, Guiné Conakry, comandada por Guilherme Alpoim Calvão, oficial do exército português.
Data da morte de Amílcar Cabral 20-01-1973
Associação de Estudantes da Guiné-Bissau em Lisboa e Núcleo de Estudantes Africanos da Faculdade de Direito com apoio da Embaixada da Guiné-Bissau em Portugal, vem por este meio informar que no dia 20 de Janeiro de 2011 vai realizar uma Cerimónia em Homenagem a Amílcar Lopes Cabral e Heróis da luta pela libertação da Guiné-Bissau e Cabo-verde.
Programa do Evento
Local de Evento: Faculdade de Direito de Lisboa Sala de Audiências, Hora: das 16:30h às 19:30
Tema: “Homenagem dos Heróis Nacionais da Guiné-Bissau e Cabo-Verde e a Influência do Pensamento de Amílcar Lopes Cabral nos dois Países ”
Conferencistas
Eng. Domingos Simões Pereira
Secretário Executivo da C.P.L.P
Dr. José Luís Hopffer de Almada
Jurista e Analista politico
Prof. Doutor Julião Sousa
Professor de História e investigador na Universidade de Coimbra
Dr. Rony Moreira
Sociólogo
Prof. Doutor António Duarte da Silva
Professor Universitário e autor dos livros: Independência da RGB, Invenção e Construção da RGB
Prof. Dr. Bernardo Pacheco de Carvalho
Coordenador do CIAT-CD Instituto Superior de Agronomia da Univ. Tecncia de Lisboa
PAIAT - ISA/UTL
Moderador
Jornalista António Lopes Soares -Tony Tcheka
Consultor Internacional em Comunicação e Jornalismo
18:00h Espaço de Debate
18:30 Encerramento
Excelentíssimo Senhor Embaixador da Guiné-Bissau em Portugal
Dr. Fali Embaló
Organização: AEGBL e NEA-FDL Com Apoio da Embaixada da Guiné-Bissau em Portugal
(informação facultada por Carlos E. Vinhal)
18 janeiro 2011
18 JANEIRO DE 1934 - MARINHA GRANDE
O LEVANTAMENTO OPERÁRIO DA MARINHA GRANDE, EM 18 JANEIRO DE 1934
Extracto de uma entrevista com um dos dirigentes do Partido e do Sindicato Vermelho vidreiro, da Marinha Grande, no jornal ilegal "O Proletário"
-- Porque tomaram, desde logo, um carácter insurreccional os acontecimentos da Marinha Grande?
Em primeiro lugar, porque o proletariado da Marinha Grande, mercê das formidáveis lutas que vinha conduzindo contra o patronato e o Estado, ocupava realmente um lugar de vanguarda em relação ao grosso do proletariado português. Sob a direcção do Partido e do Sindicato Vermelho Vidreiro, ele tinha forçado os patrões, não só a satisfazer importantes reivindicações económicas, como impôs o reconhecimento dos seus comités de fábrica, comités que o patronato era forçado a consultar em todos os casos relacionados com o pessoal.
Em segundo lugar, o agravamento da crise, as violentas medidas de repressão da Ditadura (o sindicato estava encerrado e muitos militantes presos e perseguidos), a desilusão do “reviralho”, dos chefes republicanos e anarco-sindicalistas, o exemplo de Cuba, os sucessos políticos e económicos do proletariado da União Soviética, tudo isto contribuía para dar à luta contra a fascização dos sindicatos, na Marinha Grande, um carácter mais amplo, mais profundo. Tudo isto indicava que a greve de massas, na Marinha Grande, tomaria o aspecto de levantamento armado.
-- Quais as condições em que desenrolaram os acontecimentos?
Pelas 2 horas do dia 18, fizemos a distribuição das nossas forças. Tudo se fez de uma maneira organizada. Os nossos camaradas distinguiam-se por uma braçadeira vermelha com a foice e o martelo.
Um grupo numeroso seguiu a cortar as comunicações. Ao mesmo tempo, três outros grupos marchavam a ocupar, simultaneamente, os Paços do Concelho, a estação telegráfica e o quartel da G.N.R. As armas eram apenas o que se tinha podido arranjar; algumas espingardas caçadeiras, duas pistolas e umas cinco bombas.
Os Paços do Concelho e a estação telegráfica foram ocupados pela resistência...
-- Mas, o chefe da estação conseguiu iludi-los...
Esse “parvajola” não nos podia iludir, nem como dizem os jornais, comunicar com Leiria, pelas razões simples de que, quando ocupamos a estação, já as linhas de comunicação com Leiria estavam cortadas. O seu “heróico” papel limitou-se a ensinar um nosso camarada a trabalhar com a central telefónica da vila porque assim lho exigimos.
-- E a guarda?
Aí se concentrou a resistência. Porém já todos os pontos estratégicos da vila se encontravam nas nossas mãos. Por outro lado, já todos a massa operária da Marinha Grande estava na rua, apoiando os poucos homens armados que possuíamos. O quartel ficou completamente bloqueado e foram dados quinze minutos força para se render. Recusou. Desencadeou-se o ataque. Duas horas de tiroteio e veio a rendição. A força foi desarmada e o comandante solicitou-nos que impedíssemos possíveis vinganças. Lembra-se de dezenas das suas vitimas que andavam pelas ruas...
Concordamos em que o melhor meio de os salvaguardar contra isso, seria conservá-los prisioneiras, sob a guarda de camaradas de confiança. Por isso os conduzimos para uma fábrica de vidros. Mas repara: apenas os que temiam represálias para ali foram. Dois, por exemplo, não temeram represálias, seguiram para suas casas e ninguém lhes fe mal.
-- Cessou então toda a resistência?
Sim. Às cinco horas da manhã toda a Marinha Grande estava nas mão do proletariado e milhares de trabalhadores percorriam a vila vitoriando o nosso Partido.
-- Quando começou o ataque das forças do Governo?
Próximo das seis horas. Na pior ocasião. Os serviços de abastecimentos não tinham sido assegurados. A inexperiência levou a maioria dos camaradas a ir a suas casas, extenuados, comer qualquer coisa, depois da rendição da G.N.R.
Quando, cerca das seis horas, se ouviram os primeiros tiros das forças que avançavam sobre a Marinha Grande, só a muito custo conseguimos reunir uns dez camaradas que, armados com as carabinas apreendidas à G.N.R., marcharam a ocupar a estrada que liga esta vila a Leiria. O nevoeiro era cerrado. Não se via um palmo à frente do nariz.
A pouca distância da Marinha Grande, ouvimos passos de muita gente próximo de nós. À pergunta de “quem vem lá” respondeu-nos um arrogante “forças do Governo!” e uma descarga. Caiu um camarada ferido. Ripostamos e durante alguns minutos se estabeleceu um nutrido tiroteio. Sentíamos que a força atacante se afastava. Avançamos. Tinham abandonado os feridos, na estrada.
Mas, entretanto, entrava a artilharia em acção.
Os “heróicos construtores do Estado Novo” bombardeavam a vila para submeter duas escassas dezenas de homens armados!
O cerco apertava-se. Até às nove da manha resistimos. Já umas duas centenas de camaradas nos ajudavam e encorajavam...e as munições esgotavam-se. Era uma loucura prolongar a resistência. Pouco mais de vinte possuíamos armas de fogo. O Governo opunha-nos artilharia, cavalaria, infantaria, metralhadoras... e até um avião que já voava sobre a vila, para regular o tiro da artilharia!
Retiramos, portanto, em boa ordem para o pinhal. Porém, só cerca das onze horas os “heróicos” mantenedores da ordem entraram na Marinha Grande. Decidirmos dividir-nos em pequenos grupos de quatro ou cinco, e abandonar a luta procurando iludir o cerco. Ainda isto se fez de um modo organizado. Os camaradas que têm dinheiro dividem-no pelos que o não têm. Há gestos admiráveis de camaradagem. Um camarada que possuía 600$00 fica apenas com setenta, dividindo o resto pelos camaradas! Abraços...comoção e separamo-nos... Aí tens os detalhes dos acontecimentos.
-- E os actos terroristas e os actos repugnantes praticados pelos “díscolo” a que se referem os jornais?
Essa é a nossa coroa de glória. Há sim, actos repugnantes, mas praticados pelas forças da “ordem”. As prisões, os espancamentos, as torturas, as prisões de mulheres e crianças para denunciarem os maridos e os pais; tudo isto são manifestações da “ordem” burguesa que se seguem à ocupação da vila. Antes, foi a população na rua em regozijo. Alegria nos rostos... e nem uma só vingança!
Quem pode ainda, acreditar no “camaleão” e no órgão da moagem? (1)
A imprensa burguesa procura fazer acreditar que a maioria da população se manteve hostil ao movimente que “foi obra de algumas dezenas de desordeiros”.
Isso não tem a mais ligeira consistência. A população da Marinha Grande é constituída, na sua esmagadora maioria, por operários vidreiros. Como se explica então que, apesar da repressão e ocupação militar da vila, a greve se mantivesse geral durante dois dias e só ao terceiro dia começasse a fraquejar?
(1)Referência ao jornal "O Século", orgão dos moageiros, então dirigido pelo "célebre" João Pereira da Rosa.
Mário Castelhano e Arnaldo Simões Januário, dois destacados militantes anarquistas, assassinados no Campo de Concentração do Tarrafal por terem cometido o "crime" de organizar a greve revolucionária de 18 de Janeiro de 1934.
17 janeiro 2011
15 janeiro 2011
Brevíssima Relação da Destruição de África
"Graças a uma longa e aturada investigação, Isacio Péres Fernández, editando o texto de Las Casas, vem contribuir a arrepio, diga-se já, da historiografia mercenária, para uma descolonização mental de que Portugal tambem carece.
Com efeito, o conhecimento da história ultramarina portuguesa ainda hoje mantém, nos factos mentais, o estigma da censura e autocensura com que a contaminou o salazarismo, que pôde fabricar a longo prazo, uma visão colonialista perfeita: a inocente.
Se os portugueses, como se nada fosse, continuam a sentir-se exclusivamente orgulhosos dos feitos dos seus antepassados, que segundo a ladainha "deram novos mundos ao mundo", isso deve-se, em grandíssima medida, ao facto muito singelo de inorarem a sua própria história. Porque não iremos ao ponto de os imaginar inteiramente desprovidos de ética" (1)
(1) apresentação da obra, pela editora.
Livro editado em Lisboa 1996, pelas " Edições Antígona "
Estudo preliminar e notas, edição e notas, Isacio Pérez Fernández.
Tradução de, Júlio Henriques
Corajosa inocência juvenil - 1970
Neste ano, no Porto, alguns jovens adolescentes origina um grupo de cultura o "Jovani" (jovens anjos do inferno). Aproveitando as estrutura católicas e outras existentes localmente, como o Centro Social da Foz do Douro, arriscam-se na aventura de criar um Boletim policopiado chamado "Intervenção".
Entre outras acções, cria uma exposição, no talvez maior salão existente localmente, no Orfeão da Foz do Douro.
Exposição com duas faces: uma de desenhos de crianças das escolas e C.Social.
A outra de Postais ilustrados (dezenas) de quase todo o mundo, incluindo dos países do Leste.
Recortes toscos de papel com a poesia escrita, de algumas canções de intervençao.
A música de fundo, era essencialmente de origem francesa e alguma (a possivel e disponivel) portuguesa e brasileira.
Sendo intenso o entusiasmo, para escrever e editar o boletim "Intervenção", não foi conseguido chegar ao terceiro número. A pressão da Pide começou a insinuar-se sobre as estruturas que acarinhavam o nosso trabalho. Logo as ajudas de apoio acabaram.
O que menos importa - Luís Cilia
O que menos importa é o fato surrado
Afinal cada qual tem o seu próprio fado
Comer uma vez por dia não tem importância
É até um bom preceito de elegância
Recear a prisão a pancada e as torturas
Ora quem os manda meter-se em aventuras
Não chegar o dinheiro para pagar o aluguer
Nem para ir ao cinema nem para ter mulher
Disparates doutra forma o poder cai na rua
E lembrem-se senhores a revolução continua
(poema de Luís Cilia)
Afinal cada qual tem o seu próprio fado
Comer uma vez por dia não tem importância
É até um bom preceito de elegância
Recear a prisão a pancada e as torturas
Ora quem os manda meter-se em aventuras
Não chegar o dinheiro para pagar o aluguer
Nem para ir ao cinema nem para ter mulher
Disparates doutra forma o poder cai na rua
E lembrem-se senhores a revolução continua
(poema de Luís Cilia)
14 janeiro 2011
Vitor Alves - 09 Jan 2011
Na morte de Vítor Alves
Estava em Viseu , quando um SMS me avisou: "Morreu o Vítor Alves". Infelizmente era uma notícia daquelas que se esperam - mas que, no fundo, nunca se esperam. Porque todos os nossos amigos são eternos e, quando descobrimos que não são, temos muita dificuldade em acreditar. Vítor Alves pertencia àquele grupo de homens a quem devemos viver hoje em liberdade e em democracia. Para as gerações mais novas, isto parece um dado tão adquirido que nem lhes passa pela cabeça que alguma vez pudesse ter sido doutra maneira.
Mas foi. Durante muitos anos.
Até que um dia estes homens decidiram arriscar tudo - vida, liberdade, carreira, saúde, família - em nome de um sonho que, com desvios e loucuras e erros e recuos, ainda é o que hoje nos mantém vivos e actuantes.
Esta é uma dívida que nunca poderemos pagar - nem eles estavam à espera disso.
Mas é muito triste descobrir como as pessoas têm a memória curta.
Foi vergonhosa a maneira como a morte de Vítor Alves foi tratada nos meios de comunicação - já para não falar das muitas horas de um velório quase vazio, quando deveria ter estado SEMPRE, em todas as horas, cheio de gente.
Atirada a notícia para o rodapé dos telejornais - que se enchiam do assassínio de Carlos Castro em Nova Iorque, com direito a um rol de jornalistas em directo, e entrevistas a meio mundo.
Reduzida, num jornal dito de referência, no dia a seguir ao enterro, a uma pequena fotografia em que se via a parte de trás do carro funerário e dois homens a ajudar a colocar o retrato junto do caixão - enquanto páginas inteiras continuavam reservadas ao crime passional de Nova Iorque.
Mas Vítor Alves não se meteu em escândalos, não morreu num hotel de luxo em Nova Iorque, não alimentou crónicas cor-de-rosa, nem sequer pertencia ao jet-set.
Pecados por de mais suficientes para o atirar para o limbo dos que não merecem mais que uma breve evocação. Mas se calhar é aí que ele fica bem - ao lado dos que deram tudo pela pátria, e que a pátria, vergonhosamente, esqueceu.
ISRAEL, Ataque em 25 Fev 1991 - 01:30 UTC
Minha recepção nesta data, com receptor 'Kenwood R1000', e Ant. LW 30 mt.
13 janeiro 2011
Virgínia Moura, a Passionária Portuguesa
Virgínia Moura nasceu em S. Martinho do Conde, Guimarães, a 19 de Julho de 1915. Era filha de mãe solteira, estigma que lhe condicionou a vida e a ajudou a forjar o seu precoce carácter revolucionário.
Com apenas 15 anos de idade participou numa greve estudantil, na Póvoa de Varzim, em protesto contra o assassinato, pela polícia, de um jovem estudante chamado Branco.
Três anos depois deste episódio ligou-se ao Partido Comunista Português, ao integrar o Socorro Vermelho (uma organização de apoio aos presos políticos portugueses e espanhóis), e aí conheceu o companheiro de toda a vida, António Lobão Vital, então estudante de Arquitectura. Viveram juntos durante 42 anos, até à morte de Lobão Vital.
Três anos depois deste episódio ligou-se ao Partido Comunista Português, ao integrar o Socorro Vermelho (uma organização de apoio aos presos políticos portugueses e espanhóis), e aí conheceu o companheiro de toda a vida, António Lobão Vital, então estudante de Arquitectura. Viveram juntos durante 42 anos, até à morte de Lobão Vital.
Virgínia Moura foi a primeira mulher em Portugal a licenciar-se em Engenharia Civil, curso que frequentou na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
No entanto, nunca alcançou um emprego público. As autoridades não lhe perdoaram o facto de ela ser uma reconhecida activista antifascista. Para além de Engenharia cursou, também, Matemática, em Coimbra, e Letras, no Porto.
Nesta cidade, durante os anos 40 e 50, desenvolveu grande actividade cultural. Sob o pseudónimo de Maria Selma colaborou em diversas publicações periódicas, promoveu a Revista Sol Nascente e organizou conferências que contaram com a participação de intelectuais como Teixeira de Pascoaes, Maria Lamas e Maria Isabel Aboim Inglês.
Virginia Moura, José Morgado, Ruy Luis Gomes
Antes do 25 de Abril de 1974 participou activamente em movimentos pró-democráticos. Destacou-se a sua participação e empenhamento no comício de apoio à candidatura de Norton de Matos à presidência da República, na Fonte da Moura, em 1949; foi julgada por "traição à Pátria", em 1951, por ter assinado uma declaração que exigia a Salazar negociações com o governo indiano relativamente a Goa, Damão e Diu; esteve ligada à candidatura de Humberto Delgado, às movimentações populares estudantis de 1962 e aos congressos da oposição democrática de Aveiro (1969 e 1973); foi presa dezasseis vezes pela PIDE (a primeira das quais em 1949), nove vezes processada, três vezes condenada e foi repetidamente agredida pela polícia em actos públicos. Depois da Revolução de 1974 manteve a sua actividade política como militante do PCP.
No decurso do seu activismo político e cívico integrou, também, o Movimento da Unidade Antifascista, o Movimento de Unidade Democrática Juvenil, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e o Movimento Nacional Democrático.
Com o 25 de Abril veio o reconhecimento público da sua acção cívica. Foi agraciada com a Ordem da Liberdade e, ainda, com a Medalha de Honra da Câmara Municipal do Porto durante a presidência de Fernando Cabral e do Movimento Democrático de Mulheres.
Em 1998, com 82 anos de idade, visitou Cuba pela primeira e última vez. Pouco depois, a 19 de Abril, faleceu no Porto.
Ao funeral da Passionária Portuguesa, como era conhecida entre os opositores de Salazar e de Marcelo Caetano, comparecerem milhares de pessoas, entre as quais se podem destacar o então Secretário-geral do Partido Comunista Português, Carlos Carvalhas, e o dirigente da Intervenção Democrática, Raul de Castro, seu amigo de longa data.
Presa dezasseis vezes pela PIDE, nove vezes processada e três vezes condenada.
Agredida inúmeras vezes pela polícia política durante actos públicos de afirmação democrática, a vida de Virgínia Moura foi um constante confronto com o fascismo.
Esteve nos combates do MUNAF, do MUD e do Movimento Nacional Democrático; nas batalhas políticas em torno das "presidenciais" com as candidaturas de Norton de Matos, de Ruy Luís Gomes, de Humberto Delgado; nos congressos da oposição democrática e nas campanhas políticas de massas desenvolvidas em torno das farsas eleitorais para a chamada Assembleia Nacional, em 1969 e 1973; nas pequenas e grandes lutas pela paz, pela solidariedade com os presos políticos e contra a repressão, pela melhoria das condições de vida do povo, pela libertação dos povos colonizados, pela igualdade e afirmação dos direitos das mulheres e da sua participação na vida política, pela criação das condições que conduziram ao derrube do fascismo.
Era visível a sua alegria nas primeiras horas da libertação a seguir ao 25 de Abril, como também a sua presença e contribuição apaixonada nos combates pela defesa e construção da democracia, procurando sempre intervir até ao último sopro de vida.
Por tudo isto e pelo seu modo espontâneo de se dar aos outros, o seu modo de compreender os outros, a sua modéstia feita de humanidade, de sabedoria de convicções, a sua afabilidade que nela tão bem se harmonizava com a rijeza do granito do Porto, Virgínia, a "Senhora Engenheira" como por tantos era carinhosamente tratada, foi uma figura querida, uma filha do povo que, por onde passava, deixava um rasto de acenos, de abraços, de palavras fraternas de um sem número de amigos.
Comunista, revolucionária, cidadã esclarecida do nosso tempo que identificou a sua vida com a luta do povo e com as grandes causas da democracia, lega-nos o exemplo de quem soube permanecer fiel às ideias da sua juventude e de quem soube identificar a sua vida com as grandes causas da emancipação social e política dos trabalhadores e da construção de uma democracia avançada.
12 janeiro 2011
Bomba destinada a Salazar
1937, 4 de Jullho. O presidente do C. Ministros, Oliveira Salazar, sofre um atentado quando ia à missa dominical na capela particular de Josué Trocado.
Salazar, sai do carro na Av. Barbosa do Bocage, e dá-se uma violenta explosão, que faz partir vidros e levantar tampões dos colectores.
Não houve mortos nem feridos.
Reparem nos figurantes da imagem. Bombeiros, Policia, Exército, Mocidade Portuguesa, Legião (á direita atrás c/ dolman), e claro, agentes da Pide.
Um dos principais responsáveis o anarco-sindicalista Emídio Santana, preso entre 1937 e 1953, que viria a falecer em 1988, com 82 anos, mantendo-se sempre um anarquista convicto.
Nasceu em Lisboa a 4 de Julho de 1906, filho de um serralheiro mecânico filiado no Sindicato Metalurgico.
Cresceu num ambiente muito influenciado pelo movimento associativo operário e socialista.
Devido às dificuldades económicas da familia, começou a trabalhar como aprendiz de carpinteiro de moldes aos 14 anos.
Filiou-se imidiatamente no Sindicato dos Metalurgicos e, em 1924 nas Juventudes Sindicalistas de cariz anarco-sindicalista. A sua intensa actividade sindicalista levou-o à prisão pela primeira vez em 1928, tendo sido libertado no mesmo ano.
Foi condenado novamente a um ano de prisão em 1933, sendo deportado para os Açores.
Partecipa no reaparecimento clandestino do jornal 'A Batalha' e no atentado a Salazar em Julho de 1937. Refugia-se na Gra-Bretanha, mas é entregue à policia portuguesa pelas autoridades britânicas.
Cumpre pena na Cadeia de Coimbra até 1953, altura em que começa a dedicar-se a actividades cooperativas.
Desiludido com a partidirização e burocratização dos sindicatos após o 25 Abril, empenhou-se no ressurgimento do jornal 'A Batalha'.
Morreu em Lisboa no dia 16 de Outubro de 1988.
11 janeiro 2011
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