17 janeiro 2011
15 janeiro 2011
Brevíssima Relação da Destruição de África
"Graças a uma longa e aturada investigação, Isacio Péres Fernández, editando o texto de Las Casas, vem contribuir a arrepio, diga-se já, da historiografia mercenária, para uma descolonização mental de que Portugal tambem carece.
Com efeito, o conhecimento da história ultramarina portuguesa ainda hoje mantém, nos factos mentais, o estigma da censura e autocensura com que a contaminou o salazarismo, que pôde fabricar a longo prazo, uma visão colonialista perfeita: a inocente.
Se os portugueses, como se nada fosse, continuam a sentir-se exclusivamente orgulhosos dos feitos dos seus antepassados, que segundo a ladainha "deram novos mundos ao mundo", isso deve-se, em grandíssima medida, ao facto muito singelo de inorarem a sua própria história. Porque não iremos ao ponto de os imaginar inteiramente desprovidos de ética" (1)
(1) apresentação da obra, pela editora.
Livro editado em Lisboa 1996, pelas " Edições Antígona "
Estudo preliminar e notas, edição e notas, Isacio Pérez Fernández.
Tradução de, Júlio Henriques
Corajosa inocência juvenil - 1970
Neste ano, no Porto, alguns jovens adolescentes origina um grupo de cultura o "Jovani" (jovens anjos do inferno). Aproveitando as estrutura católicas e outras existentes localmente, como o Centro Social da Foz do Douro, arriscam-se na aventura de criar um Boletim policopiado chamado "Intervenção".
Entre outras acções, cria uma exposição, no talvez maior salão existente localmente, no Orfeão da Foz do Douro.
Exposição com duas faces: uma de desenhos de crianças das escolas e C.Social.
A outra de Postais ilustrados (dezenas) de quase todo o mundo, incluindo dos países do Leste.
Recortes toscos de papel com a poesia escrita, de algumas canções de intervençao.
A música de fundo, era essencialmente de origem francesa e alguma (a possivel e disponivel) portuguesa e brasileira.
Sendo intenso o entusiasmo, para escrever e editar o boletim "Intervenção", não foi conseguido chegar ao terceiro número. A pressão da Pide começou a insinuar-se sobre as estruturas que acarinhavam o nosso trabalho. Logo as ajudas de apoio acabaram.
O que menos importa - Luís Cilia
O que menos importa é o fato surrado
Afinal cada qual tem o seu próprio fado
Comer uma vez por dia não tem importância
É até um bom preceito de elegância
Recear a prisão a pancada e as torturas
Ora quem os manda meter-se em aventuras
Não chegar o dinheiro para pagar o aluguer
Nem para ir ao cinema nem para ter mulher
Disparates doutra forma o poder cai na rua
E lembrem-se senhores a revolução continua
(poema de Luís Cilia)
Afinal cada qual tem o seu próprio fado
Comer uma vez por dia não tem importância
É até um bom preceito de elegância
Recear a prisão a pancada e as torturas
Ora quem os manda meter-se em aventuras
Não chegar o dinheiro para pagar o aluguer
Nem para ir ao cinema nem para ter mulher
Disparates doutra forma o poder cai na rua
E lembrem-se senhores a revolução continua
(poema de Luís Cilia)
14 janeiro 2011
Vitor Alves - 09 Jan 2011
Na morte de Vítor Alves
Estava em Viseu , quando um SMS me avisou: "Morreu o Vítor Alves". Infelizmente era uma notícia daquelas que se esperam - mas que, no fundo, nunca se esperam. Porque todos os nossos amigos são eternos e, quando descobrimos que não são, temos muita dificuldade em acreditar. Vítor Alves pertencia àquele grupo de homens a quem devemos viver hoje em liberdade e em democracia. Para as gerações mais novas, isto parece um dado tão adquirido que nem lhes passa pela cabeça que alguma vez pudesse ter sido doutra maneira.
Mas foi. Durante muitos anos.
Até que um dia estes homens decidiram arriscar tudo - vida, liberdade, carreira, saúde, família - em nome de um sonho que, com desvios e loucuras e erros e recuos, ainda é o que hoje nos mantém vivos e actuantes.
Esta é uma dívida que nunca poderemos pagar - nem eles estavam à espera disso.
Mas é muito triste descobrir como as pessoas têm a memória curta.
Foi vergonhosa a maneira como a morte de Vítor Alves foi tratada nos meios de comunicação - já para não falar das muitas horas de um velório quase vazio, quando deveria ter estado SEMPRE, em todas as horas, cheio de gente.
Atirada a notícia para o rodapé dos telejornais - que se enchiam do assassínio de Carlos Castro em Nova Iorque, com direito a um rol de jornalistas em directo, e entrevistas a meio mundo.
Reduzida, num jornal dito de referência, no dia a seguir ao enterro, a uma pequena fotografia em que se via a parte de trás do carro funerário e dois homens a ajudar a colocar o retrato junto do caixão - enquanto páginas inteiras continuavam reservadas ao crime passional de Nova Iorque.
Mas Vítor Alves não se meteu em escândalos, não morreu num hotel de luxo em Nova Iorque, não alimentou crónicas cor-de-rosa, nem sequer pertencia ao jet-set.
Pecados por de mais suficientes para o atirar para o limbo dos que não merecem mais que uma breve evocação. Mas se calhar é aí que ele fica bem - ao lado dos que deram tudo pela pátria, e que a pátria, vergonhosamente, esqueceu.
ISRAEL, Ataque em 25 Fev 1991 - 01:30 UTC
Minha recepção nesta data, com receptor 'Kenwood R1000', e Ant. LW 30 mt.
13 janeiro 2011
Virgínia Moura, a Passionária Portuguesa
Virgínia Moura nasceu em S. Martinho do Conde, Guimarães, a 19 de Julho de 1915. Era filha de mãe solteira, estigma que lhe condicionou a vida e a ajudou a forjar o seu precoce carácter revolucionário.
Com apenas 15 anos de idade participou numa greve estudantil, na Póvoa de Varzim, em protesto contra o assassinato, pela polícia, de um jovem estudante chamado Branco.
Três anos depois deste episódio ligou-se ao Partido Comunista Português, ao integrar o Socorro Vermelho (uma organização de apoio aos presos políticos portugueses e espanhóis), e aí conheceu o companheiro de toda a vida, António Lobão Vital, então estudante de Arquitectura. Viveram juntos durante 42 anos, até à morte de Lobão Vital.
Três anos depois deste episódio ligou-se ao Partido Comunista Português, ao integrar o Socorro Vermelho (uma organização de apoio aos presos políticos portugueses e espanhóis), e aí conheceu o companheiro de toda a vida, António Lobão Vital, então estudante de Arquitectura. Viveram juntos durante 42 anos, até à morte de Lobão Vital.
Virgínia Moura foi a primeira mulher em Portugal a licenciar-se em Engenharia Civil, curso que frequentou na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.
No entanto, nunca alcançou um emprego público. As autoridades não lhe perdoaram o facto de ela ser uma reconhecida activista antifascista. Para além de Engenharia cursou, também, Matemática, em Coimbra, e Letras, no Porto.
Nesta cidade, durante os anos 40 e 50, desenvolveu grande actividade cultural. Sob o pseudónimo de Maria Selma colaborou em diversas publicações periódicas, promoveu a Revista Sol Nascente e organizou conferências que contaram com a participação de intelectuais como Teixeira de Pascoaes, Maria Lamas e Maria Isabel Aboim Inglês.
Virginia Moura, José Morgado, Ruy Luis Gomes
Antes do 25 de Abril de 1974 participou activamente em movimentos pró-democráticos. Destacou-se a sua participação e empenhamento no comício de apoio à candidatura de Norton de Matos à presidência da República, na Fonte da Moura, em 1949; foi julgada por "traição à Pátria", em 1951, por ter assinado uma declaração que exigia a Salazar negociações com o governo indiano relativamente a Goa, Damão e Diu; esteve ligada à candidatura de Humberto Delgado, às movimentações populares estudantis de 1962 e aos congressos da oposição democrática de Aveiro (1969 e 1973); foi presa dezasseis vezes pela PIDE (a primeira das quais em 1949), nove vezes processada, três vezes condenada e foi repetidamente agredida pela polícia em actos públicos. Depois da Revolução de 1974 manteve a sua actividade política como militante do PCP.
No decurso do seu activismo político e cívico integrou, também, o Movimento da Unidade Antifascista, o Movimento de Unidade Democrática Juvenil, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e o Movimento Nacional Democrático.
Com o 25 de Abril veio o reconhecimento público da sua acção cívica. Foi agraciada com a Ordem da Liberdade e, ainda, com a Medalha de Honra da Câmara Municipal do Porto durante a presidência de Fernando Cabral e do Movimento Democrático de Mulheres.
Em 1998, com 82 anos de idade, visitou Cuba pela primeira e última vez. Pouco depois, a 19 de Abril, faleceu no Porto.
Ao funeral da Passionária Portuguesa, como era conhecida entre os opositores de Salazar e de Marcelo Caetano, comparecerem milhares de pessoas, entre as quais se podem destacar o então Secretário-geral do Partido Comunista Português, Carlos Carvalhas, e o dirigente da Intervenção Democrática, Raul de Castro, seu amigo de longa data.
Presa dezasseis vezes pela PIDE, nove vezes processada e três vezes condenada.
Agredida inúmeras vezes pela polícia política durante actos públicos de afirmação democrática, a vida de Virgínia Moura foi um constante confronto com o fascismo.
Esteve nos combates do MUNAF, do MUD e do Movimento Nacional Democrático; nas batalhas políticas em torno das "presidenciais" com as candidaturas de Norton de Matos, de Ruy Luís Gomes, de Humberto Delgado; nos congressos da oposição democrática e nas campanhas políticas de massas desenvolvidas em torno das farsas eleitorais para a chamada Assembleia Nacional, em 1969 e 1973; nas pequenas e grandes lutas pela paz, pela solidariedade com os presos políticos e contra a repressão, pela melhoria das condições de vida do povo, pela libertação dos povos colonizados, pela igualdade e afirmação dos direitos das mulheres e da sua participação na vida política, pela criação das condições que conduziram ao derrube do fascismo.
Era visível a sua alegria nas primeiras horas da libertação a seguir ao 25 de Abril, como também a sua presença e contribuição apaixonada nos combates pela defesa e construção da democracia, procurando sempre intervir até ao último sopro de vida.
Por tudo isto e pelo seu modo espontâneo de se dar aos outros, o seu modo de compreender os outros, a sua modéstia feita de humanidade, de sabedoria de convicções, a sua afabilidade que nela tão bem se harmonizava com a rijeza do granito do Porto, Virgínia, a "Senhora Engenheira" como por tantos era carinhosamente tratada, foi uma figura querida, uma filha do povo que, por onde passava, deixava um rasto de acenos, de abraços, de palavras fraternas de um sem número de amigos.
Comunista, revolucionária, cidadã esclarecida do nosso tempo que identificou a sua vida com a luta do povo e com as grandes causas da democracia, lega-nos o exemplo de quem soube permanecer fiel às ideias da sua juventude e de quem soube identificar a sua vida com as grandes causas da emancipação social e política dos trabalhadores e da construção de uma democracia avançada.
12 janeiro 2011
Bomba destinada a Salazar
1937, 4 de Jullho. O presidente do C. Ministros, Oliveira Salazar, sofre um atentado quando ia à missa dominical na capela particular de Josué Trocado.
Salazar, sai do carro na Av. Barbosa do Bocage, e dá-se uma violenta explosão, que faz partir vidros e levantar tampões dos colectores.
Não houve mortos nem feridos.
Reparem nos figurantes da imagem. Bombeiros, Policia, Exército, Mocidade Portuguesa, Legião (á direita atrás c/ dolman), e claro, agentes da Pide.
Um dos principais responsáveis o anarco-sindicalista Emídio Santana, preso entre 1937 e 1953, que viria a falecer em 1988, com 82 anos, mantendo-se sempre um anarquista convicto.
Nasceu em Lisboa a 4 de Julho de 1906, filho de um serralheiro mecânico filiado no Sindicato Metalurgico.
Cresceu num ambiente muito influenciado pelo movimento associativo operário e socialista.
Devido às dificuldades económicas da familia, começou a trabalhar como aprendiz de carpinteiro de moldes aos 14 anos.
Filiou-se imidiatamente no Sindicato dos Metalurgicos e, em 1924 nas Juventudes Sindicalistas de cariz anarco-sindicalista. A sua intensa actividade sindicalista levou-o à prisão pela primeira vez em 1928, tendo sido libertado no mesmo ano.
Foi condenado novamente a um ano de prisão em 1933, sendo deportado para os Açores.
Partecipa no reaparecimento clandestino do jornal 'A Batalha' e no atentado a Salazar em Julho de 1937. Refugia-se na Gra-Bretanha, mas é entregue à policia portuguesa pelas autoridades britânicas.
Cumpre pena na Cadeia de Coimbra até 1953, altura em que começa a dedicar-se a actividades cooperativas.
Desiludido com a partidirização e burocratização dos sindicatos após o 25 Abril, empenhou-se no ressurgimento do jornal 'A Batalha'.
Morreu em Lisboa no dia 16 de Outubro de 1988.
11 janeiro 2011
Gen. Humberto Delgado: "Obviamente demito-o"
«SABEMOS O QUE SE ESTÁ PASSANDO.»
«NÓS O FAREMOS CALAR.»
«SEREMOS DUROS E IMPLACÁVEIS ATÉ À CRUELDADE.»
(Discurso pronunciado na Televisão pelo dr Salazar, a 31 de Dezembro 1958)
FORAM ESTES
OS
ASSASSINOS
FALTA:
Mário Carvalho, informador da PIDE
Ernesto Maria Bisogno, fascista italiano, membro da O.A.S.
Deodato, meu herói de sempre
Introdução necessária
O Lançamento deste meu Blogue sob o título NAVIOS Á VISTA a 23/05/2007, teve por finalidade a troca de impressões sobre navios e portos, sendo mais vocacionado para o porto artificial de Leixões e para a problemática barra do rio Douro e sua recente via flúvio-maritima e ainda para as artes pesqueiras e outras actividades marítimas, particularmente as relacionadas com a região norte de Portugal. Pais esse, que dizem ser de marinheiros mas, que na realidade tem perdido muito desse valor, devido às politicas de falta de incentivos para o desenvolvimento, muito especialmente da marinha mercante e das pescas, as quais, só por elas, minimizariam os elevados índices do desemprego, que graça neste cantinho das Europas, plantado à beira mar. Valha-nos os poucos empresários emprendores e seus trabalhadores, que com as maiores dos sacrifícios e dificuldades, lá vão seguindo enfrente e que pela minha parte, também, os tomo por VERDADEIROS HERÓIS DO MAR!.
O Lançamento deste meu Blogue sob o título NAVIOS Á VISTA a 23/05/2007, teve por finalidade a troca de impressões sobre navios e portos, sendo mais vocacionado para o porto artificial de Leixões e para a problemática barra do rio Douro e sua recente via flúvio-maritima e ainda para as artes pesqueiras e outras actividades marítimas, particularmente as relacionadas com a região norte de Portugal. Pais esse, que dizem ser de marinheiros mas, que na realidade tem perdido muito desse valor, devido às politicas de falta de incentivos para o desenvolvimento, muito especialmente da marinha mercante e das pescas, as quais, só por elas, minimizariam os elevados índices do desemprego, que graça neste cantinho das Europas, plantado à beira mar. Valha-nos os poucos empresários emprendores e seus trabalhadores, que com as maiores dos sacrifícios e dificuldades, lá vão seguindo enfrente e que pela minha parte, também, os tomo por VERDADEIROS HERÓIS DO MAR!.
DEODATO SOARES DE AZEVEDO – MARITIMO PORTUGUÊS EMBARCADO NOS VAPORES INGLESES, foi o titulo escolhido para homenagear os marítimos embarcados em navios das marinhas de guerra, mercante e de pesca a nível mundial, durante as duas guerras mundiais, fossem de nações beligerantes ou neutrais, que sofreram na pele e sobretudo aqueles, que como o meu conterrâneo Deodato não mais voltaram ao seio familiar, para que as populações fossem abastecidas de bens essenciais para a sua sobrevivência, sobretudo a alimentação.
Eu tenho-os como autênticos heróis!
Rui Amaro
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DEODATO SOARES DE AZEVEDO
MARITIMO PORTUGUÊS EMBARCADO NOS VAPORES INGLESES
" Este pergaminho comemora D.S. de Azevedo, marinheiro da Marinha Mercante - honrado por ter servido o Rei e a Pátria na guerra mundial de 1939/45 para salvar a humanidade de tirania. Que o seu sacrifício ajude a trazer a paz e a liberdade por aquilo que ele morreu "
DEODATO SOARES DE AZEVEDO, nascido no ano 1881 na freguesia de S. João da Foz do Douro, cidade do Porto, assentou praça na Armada Real de Portugal a 01/09/1898, tendo passado pela ESCOLA DE TORPEDOS E ELECTRICIDADE e CORPO DE MARINHEIROS. Fez parte da guarnição das seguintes unidades navais: Galera-transporte PERO DE ALENQUER; corvetas DUQUE DA TERCEIRA e BARTHOLOMEU DIAS, canhoneiras MANDOVY, DIU, FARO e LIMPOPO; canhoneira-torpedeira TEJO; lancha-canhoneira MASSABI; cruzadores RAINHA D. AMÉLIA e AFFONSO DE ALBUQUERQUE; cruzador-couraçado VASCO DA GAMA, tendo feito estação e cruzado mares e portos de quase todos os territórios Portugueses de além-mar.
Aquele marinheiro, que era condecorado com a medalha “Philantropia – Generosidade – Mérito” instituída por S.M.F. A Rainha Sra. D. Maria II, por se ter atirado ao mar, com perigo da sua própria vida, em Moçambique, para salvar dois náufragos.
A 13/04/1906 tomou parte na sublevação levada a cabo pelos marinheiros do cruzador-couraçado VASCO DA GAMA, cruzador D. CARLOS I e da canhoneira-torpedeira TEJO, de cuja guarnição fazia parte, tendo sido detido e condenado a 15 anos de reclusão em presídio militar, juntamente com mais camaradas, pelo Conselho de Guerra da Marinha, presidido pelo capitão de mar e guerra João Boto, o qual teve lugar no forte de S. Julião da Barra.
No reinado de D. Manuel II houve um movimento favorável ao perdão dos marinheiros, o monarca atendeu-o e às famílias dos condenados. Recebeu-os no Paço da Necessidades, onde foram acompanhados pelos advogados que se tinham encarregado de obter a régia clemência e parece que a conseguiram, tendo os sentenciados, algum tempo mais tarde, sido libertados.
Deodato Soares de Azevedo foi um marujo bastante rebelde, segundo o que reza na respectiva caderneta militar, talvez por não admitir excessos dos seus camaradas e mesmo de superiores hierárquicos, tendo sofrido alguns castigos próprios da disciplina da Armada.
Era um homem justo e conta-se, que numa certa ocasião, na praia da Cantareira, a bordo duma bateira, pegou pelos colarinhos um guarda-fiscal e colocou-o em cima da lingueta, por ele estar a exceder-se no cálculo do dízimo do peixe descarregado.
Como embarcadiço que era, escrevia assiduamente às filhas, exprimindo ansiedade em não preocupar a sua esposa, que como é de calcular estava sempre com o credo na cruz, sobretudo em tempo de guerra.
A TEJO, 70m/536tb, guarnição 94, foi construída pelo Arsenal de Marinha, Lisboa, tendo sido incorporada em 1904. No entanto as suas experiências prolongaram-se até 1906. Em 1910 encalhou em Peniche, tendo perdido onze metros de proa durante o seu salvamento. Cinco anos após o encalhe, entrou no dique do Arsenal a fim de ser convertida em contratorpedeiro. Em 1917 voltou ao serviço com nova silhueta, tendo sido abatida em 14/03/1927.
Aquele marinheiro, que era condecorado com a medalha “Philantropia – Generosidade – Mérito” instituída por S.M.F. A Rainha Sra. D. Maria II, por se ter atirado ao mar, com perigo da sua própria vida, em Moçambique, para salvar dois náufragos.
A 13/04/1906 tomou parte na sublevação levada a cabo pelos marinheiros do cruzador-couraçado VASCO DA GAMA, cruzador D. CARLOS I e da canhoneira-torpedeira TEJO, de cuja guarnição fazia parte, tendo sido detido e condenado a 15 anos de reclusão em presídio militar, juntamente com mais camaradas, pelo Conselho de Guerra da Marinha, presidido pelo capitão de mar e guerra João Boto, o qual teve lugar no forte de S. Julião da Barra.
No reinado de D. Manuel II houve um movimento favorável ao perdão dos marinheiros, o monarca atendeu-o e às famílias dos condenados. Recebeu-os no Paço da Necessidades, onde foram acompanhados pelos advogados que se tinham encarregado de obter a régia clemência e parece que a conseguiram, tendo os sentenciados, algum tempo mais tarde, sido libertados.
Deodato Soares de Azevedo foi um marujo bastante rebelde, segundo o que reza na respectiva caderneta militar, talvez por não admitir excessos dos seus camaradas e mesmo de superiores hierárquicos, tendo sofrido alguns castigos próprios da disciplina da Armada.
Era um homem justo e conta-se, que numa certa ocasião, na praia da Cantareira, a bordo duma bateira, pegou pelos colarinhos um guarda-fiscal e colocou-o em cima da lingueta, por ele estar a exceder-se no cálculo do dízimo do peixe descarregado.
Como embarcadiço que era, escrevia assiduamente às filhas, exprimindo ansiedade em não preocupar a sua esposa, que como é de calcular estava sempre com o credo na cruz, sobretudo em tempo de guerra.
A TEJO, 70m/536tb, guarnição 94, foi construída pelo Arsenal de Marinha, Lisboa, tendo sido incorporada em 1904. No entanto as suas experiências prolongaram-se até 1906. Em 1910 encalhou em Peniche, tendo perdido onze metros de proa durante o seu salvamento. Cinco anos após o encalhe, entrou no dique do Arsenal a fim de ser convertida em contratorpedeiro. Em 1917 voltou ao serviço com nova silhueta, tendo sido abatida em 14/03/1927.
Passado à disponibilidade e regressado ao seio familiar na Foz do Douro, com a aprendizagem adquirida na Marinha de Guerra, aliada à sua possível anterior actividade nas pescas, remador eventual das catraias da Corporação de Pilotos ou embarcado na Marinha Mercante Nacional, como muitos seus conterrâneos da praia da Cantareira, pelo menos de acordo com os registos da sua cédula marítima, começou por embarcar, em pleno ano de 1911,
A sua actividade a bordo daqueles paquetes era de camareiro ou criado de mesa. Usualmente embarcava em Vigo. Leixões ou Lisboa e na volta desembarcava nesses mesmos portos ou ficava à espera
Já antes da guerra de 1914/18 embarcara como marinheiro nos vapores do armador J. & P, Hutchinson Ltd., da praça de Glasgow, que escalavam os portos de Lisboa e Douro/Leixões, com regularidade, somente passando em 1934 para a Moss Hutchinson Lines, Liverpool, por fusão daquela companhia com a James Moss & Co. Ltd, Londres, porém sempre a operar a partir de Glasgow. A nova companhia terminou a sua actividade em 1974 devido a dificuldades de exploração, por não poder competir com armadores de conveniência, que utilizavam tripulação não qualificada e de baixos salários. O navio-motor alemão PRIWALL, 74m/499tb, fretado a longo prazo, foi a ultima unidade a escalar o Douro/Leixões.
No ano de 1917, Deodato Soares de Azevedo andava embarcado no vapor ACHILLES, o qual fora capturado e afundado a tiros de canhão pelos submarinos Alemães U-55 e U-95, no dia 6 de Junho desse mesmo ano, quando navegava a
O ACHILLES, 62m/641tb, fora entregue pelo estaleiro Irvine Sb and Eng, Co., Ltd., Irvine, ao armador J. & P. Hutchinson Ltd., Glasgow, em 07/1900.
O U-55, que era comandado pelo Obltnt. z. Z. Wilhelm Werner, foi construído pelo estaleiro Germania Werft, Kiel, entrou ao serviço a 08/06/1916 e durante as suas várias patrulhas afundou 61 navios, danificou 5 e tomou de presa
Wilhelm Werner tomou o comando do U-
O U-95, que era comandado pelo Kptltnt. Athalwin Prinz, foi construído pelo estaleiro Germania Werft, Kiel, entrou ao serviço a 29/04/1917 e durante as suas várias patrulhas afundou 14 navios e danificou
Athalwin Prinz, apenas se sabe que nasceu a 08/07/1883 e morreu a 16/01/1918 por afundamento do submarino, não se encontrando mais pormenores do seu historial.
Após o devastador conflito de 1914/18, aquele marítimo luso continuou ao serviço da J. & P. Hutchinson Ltd e mais tarde da Moss Hutchinson Lines, embarcado nos vapores ENDYMION, BUSIRIS, PROCRIS, FENDRIS e SARDIS, todos eles comandados, alternadamente pelos Captains A. Woldeman, I. M. Loughlin e John W. Cowie, escalando quinzenalmente os portos de Lisboa e Douro/Leixões, com idas eventuais a Casablanca e Cadiz, pelo que tinha a possibilidade de poder conviver com os seus familiares, nomeadamente com a esposa D. Amélia e filhas, durante a estadia de cerca de três dias do seu navio no rio Douro. Note-se, que nas manobras de cruzamento das barras, muito particularmente na difícil barra do Douro, os seus capitães confiavam-lhe a roda do leme, dado que ele era um experimentado timoneiro.
Captain John W. Cowie, veterano da barra do Douro, comandante que resistiu aos dois conflitos mundiais, continuou a comandar os vapores PROCRIS, FENDRIS e SARDIS e os construídos no pós-guerra, embora pertencentes ao armador aparentado General Steam Navigation & Co. Ltd., Londres, mas ao serviço da Moss Hutchinson Lines, Liverpool, ADJUTANT, AUK, CRANE, WOODLARK (l), WOODLARK (ll) e por último o SEAMEW, de cuja escada do portaló foram lançadas à barra do Douro no ano de 1958, sob os olhares das autoridades e de uma enorme multidão, por vontade própria expressa, as cinzas do seu corpo, como homenagem ao sitio mais perigoso e temeroso, no qual muitas vezes julgava ir perder a vida e a da sua equipagem. A placa de bronze comemorativa do acontecimento pode-se ver no dique da Meia Laranja e pena é, as autoridades responsáveis, ainda não terem dado o nome a uma das artérias, esplanada, ou mesmo cais perto da barra. Um caíco da Ribeira do Porto, já ostentou o nome daquele “master mariner”. Valha-nos ao menos essa pequena homenagem de gente humilde das fainas fluviais do porto do Douro!
Chegada a terrível guerra de 1939/45, como muitos outros marinheiros Portugueses embarcados em navios nacionais e das nações Aliadas o fizeram, Deodato Soares de Azevedp não abdicou nem receou de continuar a navegar
Continuou ao serviço dos seus patrões e com os mesmos comandantes, porém devido às contingências da guerra teve de embarcar em navios de outros armadores, e sendo assim passou a fazer parte da lotação do vapor ALVA da praça de Glasgow, que navegava inserido em comboios marítimos para a Península Ibérica, nomeadamente para Lisboa e Porto, transportando carvão e no regresso carga diversa ou minério, sob a protecção de unidades navais, a fim de se evitar o ataque dos famigerados U-Boots da Kriegsmarine e dos Messerschmits da Luftwaffe.
A “Uboat.net” narra o seguinte: Às 02h08 de 02/08/1941, o submarino U-559 lançou uma salva de quatro torpedos sobre o comboio OG-71, constituído por 25 navios mercantes, que se formara no Clyde, perto de Glasgow, e navegava ao Sudoeste da Ilhas Britânicas, a
O comandante, Captain Cyril Spenser Palmer, nove tripulantes e quatro artilheiros foram recolhidos pelo vapor Irlandês CLONLARA, contudo eles pereceram, quando este vapor foi atacado mais tarde a 22 de Agosto, a Oeste de Aveiro, e afundado pelo U-564, apesar de mostrar as cores e o pavilhão da Irlanda, pais neutral. Onze outros tripulantes do ALVA foram resgatados pelo rebocador EMPIRE OAK, o qual poucas horas depois também teve o mesmo destino dos dois anteriores, por ter sido atingido por torpedos do mesmo submarino. Apesar do afundamento daquele rebocador, também ao largo de Aveiro, que se dirigia a Gibraltar, os onze tripulantes do ALVA sobreviveram e foram recolhidos a bordo da corveta HMS CAMPANULA (K18) e mais tarde transferidos para o contratorpedeiro HMS VELOX (D34), que os levou para Gibraltar, onde desembarcaram a 25 de Agosto.
Segundo “Warsailors.com”, na altura do afundamento do ALVA, dos 25 elementos da sua equipagem um deles foi para o fundo com o navio, pelo que apesar do oficio do Consulado de Portugal em Glasgow, comunicando à família o desaparecimento no mar do malogrado Deodato Soares de Azevedo, fica-se na dúvida em qual das duas embarcações, ALVA e CLONLARA, na verdade pereceu aquele, que se pode considerar mais um mártir e herói da Segunda Guerra Mundial, guerra essa, que também foi causa do afundamento de vários navios Portugueses por unidades navais e aéreas dos países beligerantes e do desaparecimento das suas lotações.
O comboio OG-71 era constituído por 21 navios, fora as unidades de escolta, dos quais nove foram afundados pelos U-Boots, entre os quais o paquete AGUILA, 168 desaparecidos e 16 sobreviventes, o qual se destinava a Gibraltar e Lisboa. Também para Lisboa vinham os seguintes navios: ALVA, STORK, CISCAR, ALDERGROVE, SPIND e CLONLARA, quase todos com carregamentos completos de carvão para consumo nacional.
ALVA, 87m/1.584tb, entregue a 06/1934 pelo estaleiro Burntisland Sb. & Eng. Co., Burntisland, ao armador Scandinavian Shipping Co., Ltd. (Glen & Co,), Glasgow.
CLONLARA, 84m/1.202tb, entregue a 04/1926 pelo estaleiro Caledon Sb & Eng, Co., Dundee, ao armador Limerick Steamship & Co., Ltd., Limerick.
EMPIRE OAK, 45m/484tb, entregue pelo estaleiro Goole Sb & Rep. Co. Ltd., Goole, ao MOWT (Ministry of War And Transport), Goole, gestores United Towing Co. Ltd., Hull.
U-559, que era comandado pelo Obltnt.z.Z. Hans Heidtmann, foi construído pelo estaleiro Blohm & Voss, Hamburgo, entrou ao serviço a 27/02/1941 e durante as suas 10 patrulhas afundou 4 navios e 1 vaso de Guerra e colocou fora de acção 2 outros navios. A 30/10/1942, a Nordeste de Port Said, foi atacado, capturado e afundado por cargas submarinas lançadas pelos contratorpedeiros HMS PARKESTON, HMS PETARD e HMS HERO e ainda por um avião Sunderland da RAF. Da sua guarnição de 45 sobreviveram 38, dentre os quais o comandante.
Aquele submarino foi abordado a nado por três homens da “Royal Navy”, que capturaram documentos secretos vitais, os quais foram muito úteis para se perceber a máquina alemã de codificação “Enigma”. Dois desses homens introduziram-se no U-559 e salvaram os referidos documentos.
Hans Heidtmann entrou para a “Kriegsmarine” em 04/1934. Serviu a bordo do cruzador ligeiro DEUTSCHLAND, antes da sua transferência para a arma submarina. Fez 6 patrulhas no U-2 e U-14. No início de 1940 comandou vários submarinos escolas da 21ª flotilha.
Em 02/1941 tomou o comando do U-559, e depois de 2 patrulhas no Atlântico Norte, cruzou o temido estreito de Gibraltar a 26/09/1941. No ano seguinte operou exclusivamente no Mediterrâneo até o seu submarino ter sido afundado pelas forças navais e aéreas Britânicas, tendo ele e os restantes sobreviventes sido detidos e durante quatro anos permaneceram em campos de prisioneiros de guerra no Egipto, Canada e Grã-Bretanha. Em Janeiro de 1958 ingressou na “Bundesmarine”, servindo várias posições no estado-maior daquela nova marinha de guerra Germânica, e em 1972 aposentou-se como Kapitan z.Z., tendo falecido em Hamburgo a 05/04/1976 com a idade de 62 anos.
Pois aqui na Foz do Douro, ainda há quem se recorde do “MARITIMO PORTUGUÊS EMBARCADO NOS VAPORES INGLESES”. Aliás já, na minha infância, o meu pai falava-me nesse fatídico acontecimento, que enlutou uma família da praia da Cantareira. Curiosamente, há dias, falando sobre a guerra de 1939/45, alguém dizia. Olhem, o Deodato, que morava na Cantareira, junto à capela da Nossa Senhora da Lapa, cujo vapor foi torpedeado e afundado por um submarino Alemão e lá ficou por aqueles mares profundos das Inglaterras!
De acordo com o seu “ Renewal Continuous Certificate of Discharge” de 1917, no espaço destinado aos sinais corporais, aparece a seguinte reserva de tatuagens: Braço direito – uma estrela e a palavra “viva”, e no braço esquerdo – uma ancora, uma estrela e várias iniciais. A anotação daquela reserva era útil para no caso de morte no mar e caso o corpo fosse encontrado, daria uma mais fácil e rápida identificação.
Parte deste meu trabalho, que é a minha homenagem àquele meu desditoso conterrâneo, só foi possível graças a vária documentação, que me foi disponibilizada por Carlos Filipe de Azevedo Coelho, natural da Foz do Douro e residente na Amadora, neto do “marinheiro desta história”, que não chegou a conhecer o seu Avô, e que a guarda religiosamente, como uma verdadeira recordação e herança.
Fontes: Carlos Filipe; Internet, Uboat.net: Warsailors.com, Maritime Institute of Ireland, Miramar Ship Index, Photoship Co.UK, Casswell Inc., Arquivo Gráfico da Vida Portuguesa 1903/1918 e Ilustração Portuguesa.
RUI AMARO
Cruzador AFFONSO DE ALBUQUERQUE /(c) Colecção de Carlos Filipe Azevedo/
Cruzador AFFONSO DE ALBUQUERQUE /(c) Colecção de Carlos Filipe Azevedo/. Cruzador-Couraçado VASCO DA GAMA /(c) postal ilustrado/
Canhoneira-Torpedeira TEJO /(c) desenho de Luis Filipe Silva/
Deodato Soares de Almeida - Personagem principal do texto com a sua Medalha "Philantropia-Generosidade-Mérito" instituida por SMF a Rainha Srª D. Maria II /(c) colecção de Carlos Filipe de Azevedo Coelho/
Paquete ARLANZA / postal da Royal Mail
Paquete Deseado/Desna/postal da Royal Mail
O Paquete VAUBAN cruzando-se com um patacho /Postal da Lamport & Holt Line/
Submarino da Armada Imperial Alemã U-95 /(c) Uboat.net/
Vapor BUSIRIS /(c) foto de autor desconhecidos - colecção DSA/
O Vapor ENDYMION amarrado no lugar do Sandeman, V.N. Gaia, rio Douro /postal ilustrado/
Vapor ENDYMION - foto da tripulação datada de 1925, o oficial à direita è o Captain W- Woldeman e na terceira fila ao centro, vê-se o marinheiro Deodato Soares de Azevedo /(c) colecção de Carlos Filipe de Azevedo Coelho/
Uma imagem da cidade de Glasgow /(c) postal ilustrado - colecção de Carlos Filipe de Azevedo Coelho/
Desenho aproximado do perfil do vapor ALVA /Rui Amaro/
Submarino da "Kriegsmarine" do tipo Vll C a que pertencia o U-559, que foi o causador da tragédia do vapor ALVA. /(C) pintura de autor desconhecido/
D. Amélia, esposa do malogrado marinheiro Deodato, à janela de sua residência sita na Rua do Passeio Alegre, Cantareira, Foz do Douro /(c) Colecção de Carlos Filipe de Azevedo Coelho/
Oficio do Consulado de Portugal em Glasgow participando à familia do malogrado marinheiro Deodato sobre o seu falecimento em combate /(c) colecção de Carlos Filipe de Azevedo Coelho/
O momento do lançamento de bordo do navio-motor SEAMEW das cinzas do corpo do seu antigo comandante, Captain John W. Cowie, às águas da barra do Douro em 1958 /(c) O Primeiro de Janeiro/
Placa de bronze comemorativa da homenagem ao Captain John W. Cowie, que se pode ver no dique da Meia Laranja, junto da barra do Douro.
Fica aqui expresso o meu agradecimento ao Sr. Rui Amaro, p'la sua disponibilidade e interesse em desenvolver e esplanar os acontecimentos relativos à vida do meu Avô materno, enquanto marinheiro e acarinhado pela população local da Foz do Douro.
Só um homem com conhecimento muito grande da vida de marinhagem, como o Sr. Rui Amaro, poderia produzir este trabalho, com tão poucos dados que me foi possivel facultar-lhe.
Muito obrigado Sr. Rui.
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